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terça-feira, 8 de março de 2016

O acrônimo do peixe segundo Agostinho




Mas destas cinco palavras gregas, as quais são Ἰησοῦς Xριστός θεοῦ υἱός σωτήρ, o que é em português ["em latim", no original] Jesus Cristo de Deus Filho Salvador, se as primeiras letras reúnes, resultará ἰχθύς, isto é, “peixe”, termo com que misticamente é entendido “Cristo”, uma vez que no abismo desta condição mortal, como na profundeza das águas, ele pôde estar vivo, isto é, sem pecado.

Horum autem graecorum quinque verborum, quae sunt, Ἰησοῦς Xριστός θεοῦ υἱός σωτήρ quod est latine Iesus Christus Dei Filius Salvator, si primas litteras iungas, erit ἰχθύς id est Piscis, in quo nomine mystice intellegitur Christus, eo quod in huius mortalitatis abysso velut in aquarum profunditate vivus, hoc est sine peccato, esse potuerit.

(Agostinho - Cidade de Deus 1, XVIII, 23)

sábado, 31 de outubro de 2015

Visão cristã da sexualidade humana (Artigo de Urbano Zilles)

Título: Visão cristã da sexualidade humana

Periódico: Teocomunicação, v. 39, n. 3 (PUC-RS)

Ano: 2009

Autor: Urbano Zilles

Resumo e palavras chave: não constam na publicação

Comentário pessoal: O artigo é bem escrito e serve muito bem para uma aproximação inicial ao tema da sexualidade na tradição cristã. Obviamente, o objetivo não é esmiuçar detalhes do pensamento de cada autor (antigo e moderno) evocado. Ainda assim, a leitura é proveitosa inclusive para quem se interessa pelo tema da sexualidade nos primeiros períodos da Era Cristã, e planeja estudos mais aprofundados para logo.

Acesse o artigo completo AQUI

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Carta de Sêneca sobre as Riquezas e a Filosofia

Título: Apresentação e Tradução Anotada da Carta de Sêneca sobre as Riquezas e a Filosofia - um documento útil para pensar a proposta de Jesus a respeito das riquezas

Autor: Cesar Motta Rios

Periódico: Teologia e Espiritualidade (Curitiba) 

Resumo: Ofereço neste texto uma tradução da Carta de Sêneca sobre as riquezas e a filosofia, acompanhada por uma apresentação e notas. Na apresentação, procuro demonstrar a relevância desse documento antigo, quase contemporâneo dos discursos de Jesus e, ainda mais, do registro escrito dos Evangelhos, para a reflexão a respeito das colocações do Messias sobre o problema das riquezas. Não proponho que haja qualquer dependência entre as propostas dos dois. Mas o leitor perceberá semelhanças notáveis e se beneficiará do argumento mais prolongado do filósofo. O texto de Sêneca propicia justamente a percepção da natureza do problema das riquezas enfrentado por Jesus de forma frequente, mas bastante sucinta e pontual, em diálogos que não possibilitam a percepção do que está de fato em jogo, a não ser que se atente para as minúcias do dito. A meu ver, a carta de Sêneca nos favorece nesse exercício.


Palavras-chave: Sêneca; Jesus; Riquezas.


Para acessar o texto completo CLIQUE AQUI

domingo, 3 de agosto de 2014

"Construção de fronteiras entre judaísmo e cristianismo no Império Romano" - Artigo de Monica Selvatici

Título: Construção de fronteiras entre judaísmo e cristianismo no Império Romano: os judaizantes e a retórica antijudaica no movimento cristão dos séculos I e II d.C.

Autoria: Monica Selvatici

Publicação: Revista Romanitas, 2013.

Resumo: Este artigo tem por propósito analisar a retórica antijudaica em textos cristãos dos séculos I e II d. C. suscitada não por ataques de judeus à fé cristã, mas, diferentemente, pela repetida presença de cristãos judaizantes (que adotam regras da lei de Moisés não mais seguidas pela maioria dos cristãos). Tal retórica auxilia na construção de fronteiras entre cristãos e judeus e, nesse sentido, na elaboração de uma identidade cristã que deve ser distanciada do universo de costumes e práticas judaicos.

Para acessar o artigo completo clique AQUI.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Por que um livro faz parte do Cânone do Novo Testamento e outro não? - Critérios de Canonicidade

Códices de Nag Hammadi
por Cesar Rios

Durante o processo de definição da coleção de textos que viriam a constituir o Novo Testamento, certos critérios de canonicidade foram frequentemente utilizados pela Igreja nos primeiros séculos da Era Cristã. Abaixo, apresento os principais em forma de perguntas, acrescentando trechos de textos antigos (por mim traduzidos) de modo a exemplificar a  consideração desses critérios.

O livro foi escrito por um apóstolo?

fertur etiam ad Laodicenses, alia ad Alexandrinos, Pauli nomine fictae ad haeresem Marcionis, et alia plura, quae in catholicam ecclesiam recipi non potest; fel enim cum melle misceri non congruit

Há, ainda, uma carta aos laodicenses e outra aos alexandrinos forjadas no nome de Paulo em prol da heresia de Marcião, e outras tantas que não podem ser recebidas na Igreja universal; fel não se mistura com mel.

Pastorem uero nuperrime temporibus nostris in Urbe Roma Hermas conscripsit, [...]; et ideo legi eum quidem oportet, se publicare uero in ecclesia populo, neque inter Prophetas, completum numero, neque inter apostolos, in finem temporum potest.

Mas Hermas compôs O Pastor muito recentemente, em nosso tempo, na cidade de Roma [...] Por isso, deve ser lido, mas não lido publicamente na Igreja, nem entre os profetas, pois seu número está completo, nem entre os apóstolos, pois está findo o tempo deles.

Cânon Muratoriano, aprox. 170 d.C.

O livro foi escrito por alguém associado a um apóstolo?

Exemplos: Lucas - Paulo ou Marcos – Pedro

δεύτερον δὲ τὸ κατὰ Μάρκον, ὡς Πέτρος ὑφηγήσατο αὐτῶι, ποιήσαντα, ὃν καὶ υἱὸν ἐν τῆι καθολικῆι ἐπιστολῆι διὰ τούτων ὡμολόγησεν φάσκων· ἀσπάζεται ὑμᾶς ἡ ἐν Βαβυλῶνι συνεκλεκτὴ καὶ Μάρκος ὁ υἱός μου.

Em segundo lugar, está o [Evangelho] segundo Marcos, que [o] fez como Pedro lhe indicava. Esse [Marcos], Pedro reconhece ser seu filho na epístola universal ao dizer com nos seguintes termos: "Cumprimenta-os a co-eleita que está na Babilônia, e Marcos, meu filho."

Orígenes (184 – 253d.C.), segundo Eusébio em Hist. Ecl. VI 25

O livro é coerente com os outros livros canônicos e com os ensinamentos dos apóstolos?

Orígenes diz sobre Hebreus:

ἐγὼ δὲ ἀποφαινόμενος εἴποιμ' ἂν ὅτι τὰ μὲν νοήματα τοῦ ἀποστόλου ἐστίν, ἡ δὲ φράσις καὶ ἡ σύνθεσις ἀπομνημονεύσαντός τινος τὰ ἀποστολικὰ καὶ ὥσπερ σχολιογραφήσαντός τινος τὰ εἰρημένα ὑπὸ τοῦ διδασκάλου.

Expondo minha opinião, eu diria que, por um lado, os pensamentos são do apóstolo, enquanto que, por outro lado, o estilo e a composição são de alguém que relembra os [ensinamentos] apostólicos, como de alguém que comenta por escrito as coisas que haviam sido ditas pelo professor.

Orígenes, segundo Eusébio em Hist. Ecl. VI 25

O livro é usado como dotado de autoridade pela igreja?

apocalypses etiam Iohannis, et Petri, tantum recipimus, quam quidam ex nostris legi in ecclesia nolunt.

Aceitamos somente o apocalipse de João e o de Pedro, ainda que alguns de nós não querem que seja lido na Igreja.

Cânon Muratoriano, aprox. 170 d.C.