quinta-feira, 23 de abril de 2015

Carta de Sêneca sobre as Riquezas e a Filosofia

Título: Apresentação e Tradução Anotada da Carta de Sêneca sobre as Riquezas e a Filosofia - um documento útil para pensar a proposta de Jesus a respeito das riquezas

Autor: Cesar Motta Rios

Periódico: Teologia e Espiritualidade (Curitiba) 

Resumo: Ofereço neste texto uma tradução da Carta de Sêneca sobre as riquezas e a filosofia, acompanhada por uma apresentação e notas. Na apresentação, procuro demonstrar a relevância desse documento antigo, quase contemporâneo dos discursos de Jesus e, ainda mais, do registro escrito dos Evangelhos, para a reflexão a respeito das colocações do Messias sobre o problema das riquezas. Não proponho que haja qualquer dependência entre as propostas dos dois. Mas o leitor perceberá semelhanças notáveis e se beneficiará do argumento mais prolongado do filósofo. O texto de Sêneca propicia justamente a percepção da natureza do problema das riquezas enfrentado por Jesus de forma frequente, mas bastante sucinta e pontual, em diálogos que não possibilitam a percepção do que está de fato em jogo, a não ser que se atente para as minúcias do dito. A meu ver, a carta de Sêneca nos favorece nesse exercício.


Palavras-chave: Sêneca; Jesus; Riquezas.


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sexta-feira, 20 de março de 2015

Breve estudo do Salmo 67: contexto, texto e aplicação



Breve estudo do Salmo 67: contexto, texto e aplicação
Por Cesar Rios

Contexto
O Salmo 67 era certamente um cântico entoado no contexto da festa da colheita (Ex 23:16). O povo hebreu se reunia para celebrar o êxito de seu trabalho agrícola, e reconhecer nisso a bênção divina. Parece-me quase impossível precisar ano ou mesmo século da composição. Apenas sugiro que não só foi entoada na referida festa, mas também que pode ter sido composta com tal finalidade.

Texto
            Embora o contexto do cântico seja bem restrito de um ponto de vista geográfico e étnico, sua mensagem é de abertura, ampliação. Diferente de outros salmos, este não chama Deus por seu nome (יהוה), mas pelo substantivo comum אֱלֹהִ֗ים (Deus), assim como outros tantos, é bem verdade. Não digo, com isso, que a identidade da divindade celebrada permaneça em aberto. O texto a define de outra forma (no verso 7). Porém, a escolha do termo faz lembrar que os outros povos faziam coisas semelhantes na mesma época. Eles cultuavam suas próprias divindades (seus próprios אֱלֹהִ֗ים), por vezes especializadas na fertilidade e agricultura. O que os hebreus faziam, então, era compreensível, e isso é fundamental para o objetivo do próprio canto. Os de fora são praticamente convidados para a celebração do Deus dos hebreus. Para assinalar detalhes nesse sentido e outros pontos relevantes, de início, ofereço uma tradução do Salmo[1]:

  1לַמְנַצֵּ֥ח בִּנְגִינֹ֗ת מִזְמ֥וֹר שִֽׁיר׃
 2 אֱלֹהִ֗ים יְחָנֵּ֥נוּ וִֽיבָרְכֵ֑נוּ יָ֤אֵ֥ר פָּנָ֖יו אִתָּ֣נוּ סֶֽלָה׃
 3 לָדַ֣עַת בָּאָ֣רֶץ דַּרְכֶּ֑ךָ בְּכָל־גּ֜וֹיִ֗ם יְשׁוּעָתֶֽךָ׃
 4 יוֹד֖וּךָ עַמִּ֥ים׀ אֱלֹהִ֑ים י֜וֹד֗וּךָ עַמִּ֥ים כֻּלָּֽם׃
 5 יִֽשְׂמְח֥וּ וִֽירַנְּנ֗וּ לְאֻ֫מִּ֥ים כִּֽי־תִשְׁפֹּ֣ט עַמִּ֣ים מִישׁ֑וֹר וּלְאֻמִּ֓ים׀ בָּאָ֖רֶץ תַּנְחֵ֣ם סֶֽלָה׃
 6 יוֹד֖וּךָ עַמִּ֥ים׀ אֱלֹהִ֑ים י֜וֹד֗וּךָ עַמִּ֥ים כֻּלָּֽם׃
 7 אֶ֭רֶץ נָתְנָ֣ה יְבוּלָ֑הּ יְ֜בָרְכֵ֗נוּ אֱלֹהִ֥ים אֱלֹהֵֽינוּ׃
 8 יְבָרְכֵ֥נוּ אֱלֹהִ֑ים וְיִֽירְא֥וּ אֹ֜ת֗וֹ כָּל־אַפְסֵי־אָֽרֶץ׃


1 Para o dirigente nas músicas; melodia; canto.

2 Que Deus nos seja gracioso e nos abençoe. Que faça resplandecer seu rosto junto a nós./
3 Para que se conheça na terra o teu caminho, e em todos os povos a tua salvação.

4 Que os povos (a) te celebrem, Deus!    Que os povos todos (a’) te celebrem!

5 Alegrem-se e bradem as populações, pois julgas os povos com retidão
   E as populações na terra, tu as guias./

6 Que os povos (a) te celebrem, Deus!   Que os povos todos (a’) te celebrem!

7 A terra deu seu fruto.       Que Deus (b), o nosso Deus (b’), nos abençoe.
8 Que Deus nos abençoe.    E o temerão todos os confins da terra.

O verso 2 reproduz com adaptações[2] a bênção sacerdotal (Nm 6:24ss). Provavelmente, o povo unido pedia a bênção divina, sem inventar algo novo, mas somente repetir o ensinado na Torah. Digo “provavelmente” por nosso limitado conhecimento a respeito da performance dos Salmos, e por julgar possível uma entoação responsiva entre sacerdotes e povo, com este último cantando, por exemplo, somente o refrão.
            O verso 3 expressa uma finalidade da bênção rogada. Essa finalidade não se restringe ao povo hebreu, que figura como o destinatário direto da bênção e da graça cantadas anteriormente. A intervenção de Deus visa dar a conhecer seu caminho e sua salvação entre todos, os de fora inclusive. O refrão e os versos restantes reafirmam essa expectativa.
            O refrão (v. 4 e 6) diz que “os povos” (עַמִּ֥ים) celebrarão אֱלֹהִ֗ים, Deus. Em seguida, expande enfaticamente: “os povos todos” (עַמִּ֥ים כֻּלָּֽם). O verbo hebraico está no incompleto, podendo sim referir-se ao que ocorre no momento, como se fosse uma expressão performativa, mas também pode indicar algo futuro, algo que ainda permanece com o estatuto de um desejo ou um prenúncio (cf. Sl 22:28).
            O verso 5 expressa a realidade, possivelmente despercebida, do governo e juízo universais de Deus (1 Sm 2:10). O Deus dos hebreus não restringe seu domínio aos limites geográficos de seu povo, afinal, conforme a Torah, toda a humanidade é feitura dele, e não de outros deuses responsáveis pelos diferentes povos.
            Os versos finais resumem a proposta do Salmo por meio de uma construção poética notável. O verso 7 começa com אֶ֭רֶץ, terra, substantivo com que se encerra o verso 8. Há um certo cruzamento visual/sonoro. O mesmo ocorre com as duas outras metades desses versos como um todo. A segunda metade do 7 é, em grande parte, repetida na primeira metade do 8. Essa repetição é enfática e relevante para o sentido desses versos, bem como para todo o poema. Assim como não são “os povos” (a), mas “os povos todos” (a’) que celebram a Deus (v. 4 e 6), não é simplesmente Deus (b), mas “nosso Deus” (b’) que nos abençoa. Há uma especificação progressiva simétrica (a-b / a’-b’). A noção de povo é expandida enquanto, de modo simetricamente oposto, a identidade da divindade é mais delimitada. Somada a isso, a repetição no começo do verso 8 é importante, ainda, como esclarecimento do início do verso 7.
            Se a terra é sujeito do verbo “deu”, alguém poderia supor que por si mesma, naturalmente e independente do governo divino, ela dá o fruto dela mesma. Esse fato aparentemente natural e espontâneo, contudo, é contado como resultado da ação abençoadora de um Deus específico. O reconhecimento disso, por sua vez, deve produzir temor em todos os confins da terra. Esse temor não é fim em si mesmo. Na concepção bíblica, e dos Escritos em especial, o “temor de יהוה é princípio do conhecimento (דָּ֑עַת) (Pv 1:7). O leitor atento perceberá que somos remetidos de volta ao primeiro par de versos. A bênção de Deus se faz para produzir conhecimento (לָדַ֣עַת). De certa forma, há uma estrutura anelar no poema, ainda que para acessá-la seja preciso conhecer a concepção da tradição sapiencial hebraica. [3]
            Parece-me possível dizer que o Salmo reproduz o sentido da existência de um povo escolhido. Esse sentido não é centrípeto, mas centrífugo.
            Em perspectiva cristã, podemos ler essa expectativa de que o testemunho da experiência da bênção divina expanda o conhecimento do Messias entre os povos, até os confins da terra (At 13:46-48 / Is 49:6 e 52:10 / Sl 98:3). Essa interpretação messiânica é facilitada pelo uso dos termos דַּרְכֶּ֑ךָ (“teu caminho”) e יְשׁוּעָתֶֽךָ (“tua salvação”) no verso 3. Jesus se apresenta justamente como o caminho (Jo 14:16), e assim são nomeados seus primeiros seguidores em Atos. Além disso, Jesus identifica-se com a salvação divina em sua obra e em seu nome. O verso, assim, apresenta uma teleologia evangélica para a dádiva divina, no sentido de que expressa uma finalidade de proclamação da Boa Nova. A boa notícia da graça de Deus manifestada na coisa comum, a agricultura, é cantada como prenúncio da Boa Notícia da Graça manifestada futuramente (no tempo oportuno) no evento especialíssimo da cruz. O ciclo de morte (da semente) e vida, da plantação vicejante e nutriz, próprio do cultivo, aponta para morte e ressurreição do Cristo de Deus.

Aplicação
            O Salmo motiva o fiel que o lê/entoa a olhar com gratidão para os feitos de Deus e com disposição de hospitalidade para os de fora. Além disso, exemplifica uma proclamação convidativa e acolhedora, e não um exibicionismo particularista e revanchista. A esperança de salvação é para todos na Terra. O Deus que julga todas as nações (Lei) é o mesmo que age com misericórdia e graciosidade (Evangelho).
            Essa percepção foi fundamental para a vivência da fé cristã desde as primeiras missões dos apóstolos, e ainda é até em nossos pequenos gestos no trato com nossos concidadãos.
                                                           
Cesar Motta Rios
cesarmottarios@gmail.com
(Observo que não tenho muita experiência no estudo da poesia hebraica. Além disso, este é um trabalho simples, breve, sem pretensões. Sugestões sempre serão bem-vindas)


[1] As marcações adicionais devem ser desconsideradas na primeira leitura, servindo para facilitar a localização de detalhes apontados no decorrer do texto.
[2] Uma diferença está justamente na opção por אֱלֹהִ֗ים no lugar de יהוה.
[3] Note-se que o refrão divide os versos do poema em três grupos: 2-3, 5 e 7-8. O primeiro apresenta o pedido e seu objetivo. O segundo expõe a atuação de Deus no todo. O terceiro reafirma o primeiro, mas já apresentando a bênção como algo dado, e esperando somente a consumação de seu objetivo final.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O relato do Éden segundo a hermenêutica de Fílon de Alexandria - Comunicação apresentada no 27º Congresso Internacional da Soter

Anais do 27º Congresso Internacional da SOTER


Foram publicados hoje os anais do último congresso da SOTER - Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, realizado em julho deste ano na PUC-Minas. São dezenas de comunicações interessantes. Participei diversas vezes do GT 3 - Exegese e Teologia Bíblica, que costuma ser muito produtivo. 

AQUI o link para os anais completos. Em seguida, postarei o texto da minha comunicação separadamente.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Material de Apoio - Língua Grega: O gênero gramatical na língua grega

Breve comentário sobre Lc 7:1-10 - O centurião e os anciãos judeus



por Cesar Rios

[O texto a seguir surge a partir da solicitação de um aluno. Ele se incomodou com alguns detalhes da versão de Lucas para o episódio do centurião que recorre a Jesus para a cura de um servo. A resposta que preparei é curta e simples, mas se o ajudou, poderá ajudar a outros.]

Confesso que a versão de Mateus era a que estava presente em minha memória. A narrativa de Lucas, contudo, é riquíssima em detalhes instigantes e significativos. Entendo que Mateus traz uma versão mais simples que, possivelmente, encurta a narrativa ao colocar o centurião como agente direto das falas dirigidas a Jesus. Isso não é absurdo. Ele é o responsável pelas falas e omitir os intermediários não é um desvio grande. Em João 19:1, não me parece que Pilatos tenha ele mesmo castigado Jesus. Mas ele é o responsável ou gerente da ação. Talvez, Mateus tenha narrado de modo semelhante.

Mas vamos aos detalhes de Lucas que me interessam:

Ἐπειδὴ ἐπλήρωσεν πάντα τὰ ῥήματα αὐτοῦ εἰς τὰς ἀκοὰς τοῦ λαοῦ, εἰσῆλθεν εἰς Καφαρναούμ.
 2  Ἑκατοντάρχου δέ τινος δοῦλος κακῶς ἔχων ἤμελλεν τελευτᾶν, ὃς ἦν αὐτῷ ἔντιμος.
 3  ἀκούσας δὲ περὶ τοῦ Ἰησοῦ ἀπέστειλεν πρὸς αὐτὸν πρεσβυτέρους τῶν Ἰουδαίων ἐρωτῶν αὐτὸν ὅπως ἐλθὼν διασώσῃ τὸν δοῦλον αὐτοῦ.
 4  οἱ δὲ παραγενόμενοι πρὸς τὸν Ἰησοῦν παρεκάλουν αὐτὸν σπουδαίως λέγοντες ὅτι ἄξιός ἐστιν ᾧ παρέξῃ τοῦτο·
 5  ἀγαπᾷ γὰρ τὸ ἔθνος ἡμῶν καὶ τὴν συναγωγὴν αὐτὸς ᾠκοδόμησεν ἡμῖν.
 6  ὁ δὲ Ἰησοῦς ἐπορεύετο σὺν αὐτοῖς. ἤδη δὲ αὐτοῦ οὐ μακρὰν ἀπέχοντος ἀπὸ τῆς οἰκίας ἔπεμψεν φίλους ὁ ἑκατοντάρχης λέγων αὐτῷ· κύριε, μὴ σκύλλου, οὐ γὰρ ἱκανός εἰμι ἵνα ὑπὸ τὴν στέγην μου εἰσέλθῃς·
 7  διὸ οὐδὲ ἐμαυτὸν ἠξίωσα πρὸς σὲ ἐλθεῖν· ἀλλὰ εἰπὲ λόγῳ, καὶ ἰαθήτω ὁ παῖς μου.
 8  καὶ γὰρ ἐγὼ ἄνθρωπός εἰμι ὑπὸ ἐξουσίαν τασσόμενος ἔχων ὑπ᾽ ἐμαυτὸν στρατιώτας, καὶ λέγω τούτῳ· πορεύθητι, καὶ πορεύεται, καὶ ἄλλῳ· ἔρχου, καὶ ἔρχεται, καὶ τῷ δούλῳ μου· ποίησον τοῦτο, καὶ ποιεῖ.
 9  ἀκούσας δὲ ταῦτα ὁ Ἰησοῦς ἐθαύμασεν αὐτὸν καὶ στραφεὶς τῷ ἀκολουθοῦντι αὐτῷ ὄχλῳ εἶπεν· λέγω ὑμῖν, οὐδὲ ἐν τῷ Ἰσραὴλ τοσαύτην πίστιν εὗρον.

O primeiro trecho marcado, no versículo 3, conta que ele enviou para junto de Jesus anciãos dos Judeus. Pareceria que o fez no uso de sua autoridade, e que os anciãos acataram a ordem com receio. Contudo, os vers. 4 e 5 nos contam uma história bem diferente. Ele não usa os anciãos como intermediários por ter autoridade sobre eles, mas por ser amigo deles! Em princípio, alguém poderia se assustar: Um romano amigo de judeus?! Sim. A amizade de pessoas de fora para com a comunidade judaica não era algo incomum (isso fica claro em trechos de Fílon e Josefo). Os anciãos, por sua vez, não só cumprem o pedido (não é uma ordem necessariamente, pois o verbo é ἀποστέλλω, enviar, como o que Jesus faz com os discípulos.). Eles o cumprem diligentemente (σπουδαίως). Eles querem que se lhe retribua a esse romano específico o afeto que ele tem pelo povo judeu, exemplificado fortemente pelo fato de que ele bancou a construção de uma sinagoga (e aqui está mais uma atribuição da ação a seu responsável indireto. Certamente, o centurião não trabalhou de pedreiro na obra da sinagoga.).

Bom, lembremos que não havia somente anti-judaísmo, mas também filo-judaísmo na Antiguidade. Talvez possamos considerar que esse centurião podia ser um tipo de "temente a Deus" (aqueles simpatizantes do "judaísmo" que não passavam pelo processo de conversão plena). Essa boa relação do com os líderes judeus não parece estranha. Agora, e a relação dos líderes judeus com Jesus? Será que era uma boa escolha mandar os anciãos como intermediários? Ora, também temos por vezes a falsa ideia de que a relação entre líderes judeus e jesus era sempre repleta de rusgas. Mas devemos nos lembrar, por exemplo, do episódio da cura da filha de Jairo, que se dá na mesma região. Ele mesmo um líder da sinagoga recorre a Jesus e seus servos se referem a Jesus como mestre (Mc 5:35). Não é só na Galileia que esses momentos de paz acontecem. Em Jerusalém pelo menos um escriba trocará elogios com o Messias (Mc 12:28ss).

Jesus não discute com os anciãos, mas vai logo em direção à casa do centurião. Este manda novos intermediários, desta vez apresentados como amigos simplesmente, para interceptá-lo. Ele o faz por humildade. Embora os anciãos o julguem digno (ἄξιος) do favor de Jesus, ele mesmo não se considera apto (ἱκανός) a receber a honra da presença de Jesus em sua casa, e explica que ele não foi pessoalmente falar com Jesus por não se considerar digno (ἠξίωσα) disso. No fim das contas, o elogio que Jesus faz à fé do homem parece se contrapor a essa imaginada falta de dignidade. Estamos a caminho de um tempo em que dignidade/justiça serão definidas por fé. Estamos a caminho do ensino paulino. Mas isso já é outra conversa.

Você perguntou se o texto tem alguma coisa do "background" judaico por traz dele ou somente tradição de romanos. Acho que o texto tem alguma coisa significativa sobre esse encontro judaico-romano, não sobre um lado ou outro somente. Ele revela a complexidade das relações, que não devem ser estereotipadas conforme nossas expectativas iniciais.